sábado, 17 de setembro de 2011

FILOFOSAR, UM ATO INERENTE A VIDA

 
 A existência do ser humano e do mundo é repleta de significado. Nela encontramos elementos que nos conferem uma luta constante pela sobrevivência. Mergulhada nos contrastes e desafios, a existência nos impulsiona a refletir sobre nós mesmos, sobre o mundo e a nossa realidade mais próxima. Dentro dessa dinâmica existencial adquirimos o ato de filosofar.

A nossa atitude reflexiva é ampla. Ela está relacionada com o enfrentamento e estranhamento da realidade. O nosso ato de filosofar não se restringe ao pensamento dos filósofos ou ao meio acadêmico, mas consiste em ver quão surpreendente é a vida e o universo com todos os seus fenômenos.

O ato de filosofar é inerente a vida. Quando enfrentamos ou estranhamos algo presente no mundo em que vivemos, o nosso conhecimento sobre as coisas expande, os nossos sentidos abrem-nos a mente para novas possibilidades, torna-nos possível a superação de nossas cegueiras, porque o que antes achávamos óbvio, agora não o é mais.

Na dinâmica existencial, o ato de filosofar nos ajuda a alagar o contato com o mundo e a construir caminhos que dão sentido a vida. Leva-nos a perceber o despercebido que passa ao nosso redor. Conhecer o que se oculta nos fenômenos cotidianos da existência.

Devemos valorizar a nossa atitude de pensar e sentir as coisas, pois elas contribuem para observarmos, interpretarmos e até criarmos teorias que explicam e nos auxiliam a ver e viver melhor no mundo.

Enfim, a vida é sempre mais. O nosso ato de filosofar é apenas um meio de encará-la, de se sentir parte de um universo imenso, que a cada dia nos convida a pensar e a dar sentido a nossa existência.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

CAMINHAR


Caminhar é pôr-se adiante,
decifrar o que possa parecer insignificante,
desafiar o tempo inconstante,
entreter-se com o que é interessante.

É descobrir um mundo distante,
adentrar-se no impressionante.
Amadurecer o nosso ser pensante.
Aguçar o olhar penetrante.

Caminhar é ultrapassar horizontes,
conhecer novas fontes,
apreciar as belezas e os encantos
que revelam os corações de cada andante.

sábado, 16 de julho de 2011

ENCONTRAR TEMPO

 

O tempo marca a existência do nosso mundo. Nada foge das tramas do tempo quando falamos ou voltamos o nosso pensamento para a vida do ser humano. Por isso é interessante que tenhamos consciência do tempo, que o encontremos e dele tiremos proveito.

"Encontrar tempo para refletir: é ir à fonte das nossas forças.
Encontrar tempo para movimentar-se: é o segredo para manter-se jovem.
Encontrar tempo para ler e estudar: é o caminho para o saber. 
Encontrar tempo para ser gentil: é percorrer a estrada da felicidade.
Encontrar tempo para sonhar: é conduzir nossos sentimentos aos céus.
Encontrar tempo para amar: é a verdadeira alegria de viver.
Encontrar tempo para ser feliz: é a música que anima a nossa alma".*

Somos seres submetidos ao tempo. O que construimos e vamos construir está sujeito a ele. O que fazer então? Cabe aproveitarmos dele, pois tempo é vida.

* Texto adaptado - Tradução livre: Sapienza Irlandese, Notiziario Colognola, Giugno 2011.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

MINAS GERAIS

Caros leitores (as), nestes dias descobri aqui por perto um poeta. Ele em suas viagens pelo Brasil afora fez brotar, ao ver várias paisagens e muita beleza, sua poesia. Gostaria, então, de divulgá-la. Esta que vocês lerão traz como título Verde mais, mas na verdade, o nosso poeta quer falar de Minas Gerais.



No coração do Brasil tem uma Mina
Uma Mina que fulmina
Gente que fabrica queijo
De São Lucas, São Lázaro e São Braz.

Numa montanha uma mata
Uma mata de verde Gerais
Que ilumina e que irradia o húmus pros cafezais.

Verde preto, verde branco, verde claro, verdes tais...
Que se confundem com o sol e o roxo.
Que verde é esse?
É verde mais,
Verde louro dos milharais.

No carro o vento traz seu zunido.
Eu calado sorrindo
Matutando um pensamento que geme para nascer
Nos berços de Minas Gerais.

* Autor: Evandro Aires de Carvalho

quinta-feira, 5 de maio de 2011

AS PALAVRAS


As palavras faladas ou escritas ecoam. Algumas permanecem, outras se vão levadas pelo vento da nossa existência. Todavia, nenhuma delas retorna ao seu ponto inicial. Uma vez mencionadas, as palavras seguem o seu caminho.

As palavras fazem história, criam escritores, heróis, vilões, cientistas, poetas; dão vida aos livros. Elas alimentam o amor, rompem ou elevam o ódio, perpetuam as amizades. Enfim, revelam mundos intangíveis às nossas mãos.

As palavras estão perto, mas ao mesmo tempo chegam longe. Percorrem o universo difundindo ideias. Sobre elas se constroem a linguagem humana; a verdade e a mentira, o belo e o feio e tantas coisas que permeiam o nosso existir.

Por meio das palavras podemos avançar rumo a nossa salvação, a uma vida melhor, ou simplesmente nos destruir por não sabermos como conduzi-las, interpretá-las. Quantos discursos poderiam promover a paz e a solidariedade, mas não poucas vezes acabam lançando palavras que provocam guerras, que semeiam discórdias.

As palavras estão em constante movimento. Elas se movem e avançam. As palavras são importantes. Através delas transformamos realidades, conhecemos povos e culturas. Com elas é possível alcançar os céus, tocar o infinito, chegar a um mundo mais belo, fraterno e feliz para todos.

quarta-feira, 16 de março de 2011

MOMENTOS DA VIDA


Podemos afirmar, numa visão geral das coisas, que a vida nos apresenta de maneira bela. Mas em que consiste essa beleza? Na ausência da dor e das dificuldades ou em enfrentar os obstáculos de cada dia? É possível pensar os dois modos. Todavia, percebemos que a nossa existência dificilmente estará livre das adversidades.
Para nós, os desafios podem contribuir para tornamo-nos pessoas de boa vontade e solidários. Enfretando os obstáculos da vida, temos a oportunidade de adquirir a capacidade de alçar voo e chegar aos céus. Assim como a borboleta sofre para sair do casulo, mas obtem no fim a força para voar, também nós, encarando os contratempos do cotidiano teremos a possibilidade de chegar mais perto do que é plenamente divino. Deus nos anima nesse caminho, pois Ele se coloca ao nosso lado. Reflitamos juntos:

Certo dia, um homem observava uma pequena abertura em um casulo. Observando-o por várias horas, ele via o modo como o pequeno animal, uma borboleta, se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquela abertura.

Então pareceu ao homem que ela não fazia progressos em suas tentativas. Assim, o homem decidiu ajudá-la, abrindo o restante do casulo com uma tesoura. A borboleta, então, saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observar a borboleta, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e se esticassem, prontas para o voo. Mas, nada aconteceu. Na verdade, a borboleta passou o resto da vida rastejando, com um corpo murcho e as asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.

O que o homem não compreendia, em sua gentileza e vontade de ajudar, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura se tratava do modo com que Deus fazia para que o fluido do corpo da borboleta fosse para suas asas, de modo que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar nossas vidas sem quaisquer obstáculos, isso nos deixaria aleijados. Nós não seríamos tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

(Autor Anônimo - Conto extraído do Jornal Missão Jovem, março 2011)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A INTERDEPENDÊNCIA ENTRE SER HUMANO E NATUREZA


Vivemos num Universo onde os vários elementos estão conectados e dependentes. Uma coisa necessita de outra para se manter. A nossa reflexão parte, justamente, desse ponto: da integralidade e interdependência existente entre ser humano e natureza.

Assim como os demais elementos do Universo, o ser humano é um ser interdependente e interligado. Ele necessita de fontes vitais para sobreviver, e tais fontes são encontradas precisamente na sua “casa comum”, no planeta Terra, na natureza.

A natureza fornece aos seres humanos uma infinidade de recursos. Ela concede à humanidade as condições necessárias para a vida. Entretanto, quase não pensamos sobre a nossa relação com o planeta, nem paramos para perceber que só respiramos porque temos o oxigênio que nos envolve; que as plantas realizam o processo de fotossíntese porque liberamos gás carbônico. São detalhes que passam despercebidos, mas que são essenciais para a nossa existência. Não refletimos ainda o quanto é importante a água, a luz solar, as florestas e tantas outras coisas existentes na Terra.

É! O ser humano deixou, ou talvez, não pensou como ser integrado na natureza. Se houvesse meditado sobre tal assunto não teria provocado alguns danos à sua própria “casa”, ou quem sabe teria estabelecido uma relação diferente com a natureza.

A natureza e o ser humano estão, queira ou não, interligados. Um precisa do outro para viver. Se um sofre, o outro também sofre. Mas, detenhamos um pouco mais e pensemos: quando não cuidamos como se deve da vida no planeta, quem mais sofre o ser humano ou a natureza? Os dois são prejudicados, mas é bom frisarmos que nessa relação o efeito maior do descuido recai sobre o próprio ser humano.

Diante da imensidade do Universo, somos apenas um grão de areia, seres muito frágeis. Desse modo, que atitudes nos cabe para que possamos perdurar nesse planeta? Esta é uma pergunta que nos fica. Uma pergunta que pode ser respondida na pratica, com atos de zelo e responsabilidade pela nossa mãe Terra. Pare! Pense! Aja.  

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O QUE FAZ UM HOMEM SER JUSTO? É O MEDO DA PUNIÇÃO OU EXISTE UMA NATUREZA PRÓPRIA DO BEM?


Comentário referente ao texto Anel de Giges

O homem faz parte de um sistema social. Dentro do sistema, ele é levado a obedecer um conjunto de leis. Estas leis foram elaboradas para conduzir da melhor forma a vida em sociedade, evitando assim as injustiças que advêm do não cumprimento delas. E aqui, adentramos na reflexão do texto Anel de Giges de Platão, que nos propõe a questão da justiça. A justiça como bem maior numa comunidade.

Segundo Anel de Giges, a justiça é um acordo mútuo entre as pessoas que buscam preservar-se da injustiça e de praticar a mesma. E aí se encontra o ser humano, porque a justiça o ajuda a comportar de forma coerente frente a sociedade. Desse modo, percebemos, que o que faz o homem justo não é algo próprio dele, mas sim, o jogo de regras estabelecidas no sistema social.

O homem carrega em si aquilo que é próprio da sua natureza: a ambição, o orgulho, a vontade de poder, a bondade, a solidariedade, a justiça e mais. Impelido por esses aspectos, ele é capaz de realizar coisas que o corrompe ou não. No entanto, tratando do episódio do Anel de Giges, percebemos que quando é dado ao ser humano um poder, ele acaba infringido o que consideramos justo e virtuoso.

Nesse sentido, podemos observar que até o homem justo rompe o caminho do bem comum para assumir bens particulares. Enfim, vemos, segundo Anel de Giges, que não existe uma natureza própria para o bem, porque o homem com o poder nas mãos transgride todas as leis para conseguir o que quer.

Notamos ainda, que o ser humano procura viver a justiça não por uma vontade própria, mas pelo medo de ser punido e por querer ser reconhecido como justo, como aquele que preserva esse bem de grande valor.

Por fim, uma das conclusões relacionadas a este texto de Platão é que a justiça é adquirida a partir do estabelecimento de um regulamento e o homem para se fazer justo cumpre determinadas leis visando não ser punido, pois se não houvesse a punição, por si só ele não procuraria o bem coletivo, mas tenderia para aquilo que lhe é mais adequado.

O ANEL DE GIGES


Platão

— Falar a favor da justiça, como sendo superior à injustiça, ainda não o ouvi a ninguém, como é meu desejo — pois desejava ouvir elogiá-Ia em si e por si. Contigo, sobretudo, espero aprender esse elogio. Por isso, vou fazer todos os esforços por exaltar a vida injusta; depois mostrar-te-ei de que maneira quero, por minha vez, ouvir-te censurar a injustiça, e louvar a justiça. Mas vê se te apraz a minha proposta.

— Mais do que tudo — respondi —. Pois de que outro assunto terá mais prazer em falar ou ouvir falar mais vezes uma pessoa sensata?

— Falas à maravilha — disse ele —. Escuta então o que eu disse que iria tratar primeiro: qual a essência e a origem da justiça.

Dizem que uma injustiça é, por natureza um bem, e sofrê-Ia, um mal, mas que ser vítima de injustiça é um mal maior do que o bem que há em cometê-Ia. De maneira que, quando as pessoas praticam ou sofrem injustiças umas das outras, e provam de ambas, lhes parece vantajoso, quando não podem evitar uma coisa ou alcançar a outra, chegar a um acordo mútuo, para não cometerem injustiças nem serem vítimas delas. Daí se originou o estabelecimento de leis e convenções entre elas e a designação de legal e justo para as prescrições da lei. Tal seria a génese e essência da justiça, que se situa a meio caminho entre o maior bem — não pagar a pena das injustiças — e o maior mal — ser incapaz de se vingar de uma injustiça. Estando a justiça colocada entre estes dois extremos, deve, não preitear-se como um bem, mas honrar-se devido à impossibilidade de praticar a injustiça. Uma vez que o que pudesse cometê-Ia e fosse verdadeiramente um homem nunca aceitaria a convenção de não praticar nem sofrer injustiças, pois seria loucura. Aqui tens, ó Sócrates, qual é a natureza da justiça, e qual a sua origem, segundo é voz corrente.

Sentiremos melhor como os que observam a justiça o fazem contra vontade, por impossibilidade de cometerem injustiças, se imaginarmos o caso seguinte. Dêmos o poder de fazer o que quiser a ambos, ao homem justo e ao injusto; depois, vamos atrás deles, para vermos onde a paixão leva cada um. Pois bem! Apanhá-lo-emos, ao justo, a caminhar para a mesma meta que o injusto, devido à ambição, coisa que toda a criatura está por natureza disposta a procurar alcançar como um bem; mas, por convenção, é forçada a respeitar a igualdade. E o poder a que me refiro seria mais ou menos como o seguinte: terem a faculdade que se diz ter sido concedida ao antepassado do Lídio [Giges]. Era ele um pastor que servia em casa do que era então soberano da Lídia. Devido a uma grande tempestade e tremor de terra, rasgou-se o solo e abriu-se uma fenda no local onde ele apascentava o rebanho. Admirado ao ver tal coisa, desceu por lá e contemplou, entre outras maravilhas que para aí fantasiam, um cavalo de bronze, oco, com umas aberturas, espreitando através das quais viu lá dentro um cadáver, aparentemente maior do que um homem, e que não tinha mais nada senão um anel de ouro na mão. Arrancou-lho e saiu. Ora, como os pastores se tivessem reunido, da maneira habitual, a fim de comunicarem ao rei, todos os meses, o que dizia respeito aos rebanhos, Giges foi lá também, com o seu anel. Estando ele, pois, sentado no meio dos outros, deu por acaso uma volta ao engaste do anel para dentro, em direcção à parte interna da mão, e, ao fazer isso, tornou-se invisível para os que estavam ao lado, os quais falavam dele como se se tivesse ido embora. Admirado, passou de novo a mão pelo anel e virou para fora o engaste. Assim que o fez, tornou-se visível. Tendo observado estes factos, experimentou, a ver se o anel tinha aquele poder, e verificou que, se voltasse o engaste para dentro, se tornava invisível; se o voltasse para fora, ficava visível. Assim senhor de si, logo tratou de ser um dos delegados que iam junto do rei. Uma vez lá chegado, seduziu a mulher do soberano, e com o auxílio dela, atacou-o e matou-o, e assim se assenhoreou do poder.

Se, portanto, houvesse dois anéis como este, e o homem justo pusesse um, e o injusto outro, não haveria ninguém, ao que parece, tão inabalável que permanecesse no caminho da justiça, e que fosse capaz de se abster dos bens alheios e de não lhes tocar, sendo-lhe dado tirar à vontade o que quisesse do mercado, entrar nas casas e unir-se a quem lhe apetecesse, matar ou libertar das algemas a quem lhe aprouvesse, e fazer tudo o mais entre os homens, como se fosse igual aos deuses. Comportando-se desta maneira, os seus actos em nada difeririam dos do outro, mas ambos levariam o mesmo caminho. E disto se poderá afirmar que é uma grande prova de que ninguém é justo por sua vontade, mas constrangido, por entender que a justiça não é um bem para si, individualmente, uma vez que, quando cada um julga que lhe é possível cometer injustiças, comete-as. Efectivamente, todos os homens acreditam que lhes é muito mais vantajosa, individualmente, a injustiça do que a justiça. E pensam a verdade, como dirá o defensor desta argumentação. Uma vez que, se alguém que se assenhoreasse de tal poder não quisesse jamais cometer injustiças, nem apropriar-se dos bens alheios, pareceria aos que disso soubessem muito desgraçado e insensato. Contudo, haviam de elogiá-lo em presença uns dos outros, enganando-se reciprocamente, com receio de serem vítimas de alguma injustiça. Assim são, pois, estes factos.

Quanto à escolha, em si, entre as vidas de que estamos a falar, se considerarmos separadamente o homem mais justo e o mais injusto, seremos capazes de julgar correctamente. Caso contrário, não. Qual é então essa separação? É a seguinte: nada tiremos, nem ao injusto em injustiça, nem ao justo em justiça, mas suponhamos que cada um deles é perfeito na sua maneira de viver. Em primeiro lugar, que o injusto faça como os artistas qualificados — como um piloto de primeira ordem, ou um médico, repara no que é impossível e no que é possível fazer com a sua arte, e mete ombros a esta tarefa, mas abandona aquela. E ainda, se vacilar nalgum ponto, é capaz de o corrigir. Assim também o homem injusto deve meter ombros aos seus injustos empreendimentos com correcção, passando despercebido, se quer ser perfeitamente injusto. Em pouca conta deverá ter-se quem for apanhado. Pois o supra-sumo da injustiça é parecer justo sem o ser. Dêmos, portanto, ao homem perfeitamente injusto à mais completa injustiça; não lhe tiremos nada, mas deixemos que, ao cometer as maiores injustiças, granjeie para si mesmo a mais excelsa fama de justo, e, se acaso vacilar nalguma coisa, seja capaz de a reparar, por ser suficientemente hábil a falar, para persuadir; e, se for denunciado algum dos seus crimes, que exerça a violência, nos casos em que ela for precisa, por meio da sua coragem e força, ou pelos amigos e riquezas que tenha granjeado. Depois de imaginarmos uma pessoa destas, coloquemos agora mentalmente junto dele um homem justo, simples e generoso, que, segundo as palavras de Ésquilo, não quer parecer bom, mas sê-lo. Tiremos-lhe, pois, essa aparência. Porquanto, se ele parecer justo, terá honrarias e presentes, por aparentar ter essas qualidades. E assim não será evidente se é por causa da justiça, se pelas dádivas e honrarias, que ele é desse modo. Deve pois despojar-se de tudo, excepto a justiça, e deve imaginar-se como situado ao invés do anterior. Que, sem cometer falta alguma, tenha a reputação da máxima injustiça, a fim de ser provado com a pedra de toque em relação à justiça, pela sua recusa a vergar-se ao peso da má fama e suas consequências. Que caminhe inalterável até à morte, parecendo injusto toda a sua vida, mas sendo justo, a fim de que, depois de terem atingido ambos o extremo limite, um da justiça, outro da injustiça, se julgue qual deles foi o mais feliz.

— Céus! Meu caro Gláucon! — exclamei —. Com que vigor te empenhas em limpar e avivar, como se fosse uma estátua, cada um dos dois homens, a fim de os submeter a julgamento!

Platão
Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira
Adaptação de Vítor João Oliveira
Retirado de República. Lisboa: Gulbenkian, 4ª ed., 1983, pp. 55-60.

Fonte: http://aartedepensar.com/leit_giges.html

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

CULTIVAR A VIDA, CUIDAR DO PLANETA


Estamos falando, discutindo e refletindo sobre a questão ecológica já faz alguns anos. E não é por acaso. Nestes últimos tempos vemos como a vida em nosso planeta está sendo ameaça. O descuido e o descaso pela natureza são marcados por uma forma de desenvolvimento social, econômica e tecnológica que não privilegia, em primeiro plano, a defesa da sociobiodiversidade. Nunca se viu tamanha irresponsabilidade por parte da nossa sociedade.
Torna-se urgente para todos nós uma mudança de postura frente à realidade planetária em que vivemos. Não se pode continuar alimentando a ideia de progresso econômico a qualquer custo. A vida na Terra reclama por respeito e cuidado.
Em sintonia com a Campanha da Fraternidade de 2011, organizada pela CNBB, cujo tema “Fraternidade e Vida no Planeta” e o lema “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22), queremos reforçar a nossa ideia em defesa do nosso planeta e da vida que nele se encontra. É preciso voltar a nossa atenção para essa questão. O aquecimento global e as mudanças climáticas são realidades presentes em nosso meio. A ecologia necessita do olhar cuidadoso e atento de nós, seres humanos.
Considerando as transformações já existentes em nosso planeta, devido o próprio ciclo natural e as interferências humanas, a nossa atitude, como guardiões da Terra, deve ser de cultivo e cuidado. Cultivar a vida e ao mesmo tempo cuidar do planeta são duas instâncias intrinsecamente ligadas. Esse é o convite feito a nós nesses últimos anos. Não dá para descartar esse compromisso. Se cultivarmos e cuidarmos da nossa “Casa comum” estaremos contribuindo com a nossa própria preservação.
Cultivar e cuidar da vida, da sociobiodiversidade da Terra, é o grande desafio que temos na atualidade. Assumindo o apelo da mãe natureza com responsabilidade poderemos garantir a nossa sobrevivência na “Casa comum”.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O INÍCIO DE UMA CAMINHADA


O Eco das Ideias está iniciando sua caminhada de elaboração e divulgação de seu pensar. Está abrindo um espaço para refletir novas e velhas construções já realizadas na história do pensamento. Não se tem aqui pretensões elevadas, apenas se quer dá evasão à reflexão de temas que são pertinentes à vida em geral. A jornada é longa e exige preparo, por isso no Eco das Ideias se vai caminhar sem parar. Viajar-se-á pelo universo infinito que é o saber humano. Uma ótima e aventurosa caminhada.